ONG denuncia omissão da Polícia Militar em caso de LGBTfobia em SC
Violência contra LGBTs

ONG denuncia omissão da Polícia Militar em caso de LGBTfobia em SC

Caso que envolve o núcleo da ONG Mães do Amor em Defesa da Diversidade que atua em Blumenau ocorreu no último sábado (15) e repercute nacionalmente

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O núcleo da ONG Mães do Amor em Defesa da Diversidade que atua em Blumenau, no Vale do Itajaí, está denunciando manifestações homofóbicas e a inoperância da Polícia Militar da cidade, por se negar a registrar o caso. A situação ocorreu no último sábado (15), e continua repercutindo, inclusive com a instalação de uma sindicância por parte da corporação.

ONG denuncia omissão da Polícia Militar em caso de LGBTfobia em SC
Panfletos homofóbicos e com ataques à comunidade LGBTQIAPN+ foram espalhados pelo Parque Ramiro Ruediger, em Blumenau (Foto: Divulgação)

ONG denuncia omissão da Polícia Militar em caso de LGBTfobia em SC
Panfletos homofóbicos e com ataques à comunidade LGBTQIAPN+ foram espalhados pelo Parque Ramiro Ruediger, em Blumenau (Foto: Divulgação)

De acordo com Rosane Martins, advogada e presidente da ONG Mães do Amor em Defesa da Diversidade, as mães que estavam participando da organização do piquenique encontram panfletos homofóbicos e com ataques à comunidade LGBTQIAPN+ espalhados pelo Parque Ramiro Ruediger, no bairro Velha. Os flyers, de acordo com ela, traziam textos dizendo que eles não eram aceitos por Deus e Jesus e os chamando de “filhes do diabo”.

O piquenique tinha como tema “O Amor Vence a LGBTfobia” e foi organizado para falar sobre o acolhimento da população no cristianismo e estava programado para contar com a presença do teólogo Tuco Egg.

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Panfletos foram espalhados pelo Parque Ramiro Ruediger, em Blumenau (Foto: Divulgação)

Uma guarnição da Polícia Militar foi acionada para registrar o caso. No entanto, um dos policias afirmou que se registrasse o procedimento, teria também que registar uma ocorrência por intolerância religiosa, sem explicar o motivo e justificando-se por ser cristão. As imagens foram gravadas pelas mães do grupo e devem ser anexadas ao processo.

Rosane e as demais participantes do grupo foram até a Corregedoria da Polícia Militar, para registrar o comportamento do militar e solicitar explicações. Além disso, um boletim de ocorrência foi registrado na 1º Delegacia de Polícia, no bairro Jardim Blumenau. Ela informou que vão solicitar a inclusão das imagens das câmeras de segurança do Parque Ramiro Ruediger.

“Nossa ONG trabalha a conscientização e a superação do preconceito. Pra entender que a sexualidade não é uma escolha, é preciso conhecer, ter contato com as histórias das pessoas LGBT e humanizá-las. Tudo que elas querem é respeito e o direito de viver plenamente as suas vidas”, destaca a presidente da ONG.

Assista o vídeo que mostra a reação do policial militar em Blumenau:

Polícia Militar de Blumenau abre sindicância

A Polícia Militar confirma que houve a procura das mães, mas não incluiu a discussão ou comentou sobre o comportamento do policial. De acordo com o 10º Batalhão da PM, “a guarnição policial foi abordada por uma das organizadoras do evento mencionado, a qual alegou ter sofrido tratamento homofóbico. Questionada sobre a autoria, a mulher apresentou os panfletos que estavam espalhados por todo o Parque Ramiro, o qual continha versículos bíblicos e cuja autoria era desconhecida. Após orientação da guarnição policial, a mulher deixou o local sem manifestar interesse em registrar formalmente o fato, alegando que registraria posteriormente na Delegacia.”

Questionada pelo Floripa.LGBT, o 10º Batalhão de Polícia Militar informou, por meio de sua assessoria, que “foi instaurada sindicância para apuração e esclarecimentos do fato ocorrido neste sábado, 15”. O prazo para conclusão da sindicância é de 30 dias, que ainda podem ser prorrogados por mais 30 dias.

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