Violência contra pessoas LGBTI+ tem aumento em Santa Catarina - Foto: Agência Brasil/Arquivo/Divulgação/Floripa.LGBT

Violência contra pessoas LGBTI+ tem aumento em Santa Catarina - Foto: Agência Brasil/Arquivo/Divulgação/Floripa.LGBT

Registros de violência em SC ultrapassam 900 casos só no 1º semestre de 2024, conforme o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC)
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Florianópolis está longe de ser considerada segura para essa comunidade, apesar da fama internacional de ser uma cidade acolhedora para pessoas LGBTQIA+. A capital catarinense lidera o ranking de casos de violência contra pessoas LGBT+ no estado, com 92 registros de violações apenas no primeiro semestre de 2024.

Violência contra pessoas LGBTI+ tem aumento em Santa Catarina - Foto: Agência Brasil/Arquivo/Divulgação/Floripa.LGBT
Violência contra pessoas LGBTI+ tem aumento em Santa Catarina – Foto: Agência Brasil/Arquivo/Divulgação/Floripa.LGBT

De acordo com dados do painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Santa Catarina registrou 902 casos de violações contra pessoas LGBT+ até junho deste ano. O número é quase 17 vezes maior que o registrado em 2020, quando o órgão divulgou o primeiro boletim, com 54 casos.

Os casos envolvem violações contra direitos civis, integridade física, contra a vida e contra direitos sociais, por exemplo. Segundo os dados do painel, 498 violações aconteceram na casa da vítima, de familiares, do agressor ou onde a vítima e o agressor moram juntos.

Mulheres LGBT+ são as principais vítimas

O painel também revela que a maioria das vítimas são mulheres, com 560 casos, sendo 290 lésbicas. A interseccionalidade ajuda a entender esse panorama, que é a combinação de fatores sociais, como identidade de gênero e orientação sexual neste caso, que definem os alvos das opressões e desigualdades.

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Os homens são vítimas em 300 casos, sendo 279 gays. Em 758 episódios de violência, o agressor não é uma pessoa LGBT, e 421 desses são praticados por homens. Ao todo, em 528 violações as vítimas informaram que os casos aconteciam diariamente.

Florianópolis lidera rankingda violência LGBT+ em SC

Além de Florianópolis, os casos de violência contra pessoas LGBT+ também se concentram em Joinville, São José, Blumenau e Itajaí.

  1. Florianópolis: 92 casos
  2. Joinville: 89 casos
  3. São José: 86 casos
  4. Blumenau: 70 casos
  5. Itajaí: 9 casos

No Brasil, as violações contra LGBTQIA+ em 2024, até o momento, somam 24,5 mil casos. São Paulo, com 6,2 mil casos, é o estado com mais registro de violações.

Para o coordenador licenciado da Parada do Orgulho LGBTI+ de Florianópolis, Miguel Gregório, os números representam um retrocesso para a cidade, que sempre foi vista como uma das capitais mais receptivas ao turismo LGBTQIA+.

“Precisamos de políticas públicas para abordar essa questão, mas também é necessário que haja representatividade de pessoas LGBT+ nas Câmaras de Vereadores pelo Estado e nos demais espaços em que se discute as propostas de lei para abordar questões de segurança para esta comunidade”, explica Gregório.

Alexandre Bogas, presidente da ONG Acontece Arte e Política LGBTI, destaca que a subnotificação de casos ainda é muito alta e os registros não chegam ao Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ feito pela ONG.

“Essa quantidade de violências apontadas pelo Ministério de Direitos Humanos, muitos casos não nos chegam, a subnotificação é muito alta. Temos trabalhado juntamente com o Conselho Municipal LGBT e junto ao Ministério Público, com o nosso termo de referência montado no ano passado, em dezembro de 2023, para poder estar mais em cima de compreensão dos casos, notificações, inquéritos e assim por diante.”

O que fazer em caso de violência LGBT+

Encarar um episódio de violência não é fácil, o medo e a vergonha de denunciar podem acabar deixando agressores impunes. Por isso, em caso de LGBTfobia, é importante procurar a Polícia Civil e fazer a denúncia.

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As denúncias de casos de violência podem ser feitas pelo disque denúncia 181, WhatsApp da Polícia Civil (48) 98844-0011 ou ainda pelo site da polícia.

Um manual contra LGBTfobia, feito pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) tem como intuito instruir e explicar quais são os meios legais que uma pessoa pode recorrer para de se defender da violência LGBTfóbica.

A cartilha esclarece dúvidas sobre como fazer denúncias, acompanhar o processo jurídico e cobrar que casos de LGBTfobia sejam reconhecidos dessa forma. O material é gratuito e pode ser acessado neste link.

* Com informações do NSC Total

* Sob supervisão de Danilo Duarte

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