Mulher trans denuncia transfobia no Ticen em Florianópolis - Foto: Divulgação/Floripa.LGBT
Uma mulher trans está denunciando na internet ter sido vítima de transfobia no Ticen (Terminal de Integração do Centro), em Florianópolis, ao tentar utilizar o banheiro feminino. O caso teria ocorrido na noite de sábado (25), quando um homem que se identificou como segurança abordou Endy Roubuste e a questionou sobre sua identidade, causando constrangimento e insegurança.
Segundo relato da vítima, ao entrar no local, um homem a abordou e questionou: “Você é homem, não é mulher?”. Nas redes sociais, o vídeo que flagra a transfobia no Ticen, publicado por Endy que flagrou a transfobia já tem cerca de 20 mil visualizações. Na publicação, ela descreveu o caso, que recebeu mais de 200 comentários, além de compartilhamentos:
“Eu me dirigia ao banheiro feminino para realizar minhas necessidades fisiológicas, quando o segurança passou a bater insistentemente na porta alegando que havia ‘um homem’ no interior do banheiro. Imediatamente respondi que não havia nenhum homem e informei que sou uma mulher trans. Ainda assim, o segurança continuou a me interpelar e a me tratar no masculino, insistindo em se referir a mim como ‘homem’.
Além disso, uma mulher que acompanhava o segurança passou a me atacar verbalmente, afirmando que minha voz era masculina e que, portanto, eu seria ‘um homem’. Após eu sair do banheiro, ambos continuaram debochando da situação, constrangendo-me e desrespeitando minha identidade de gênero. No momento do ocorrido, eu estava acompanhada de duas amigas, que presenciaram toda a situação”, descreveu.
A situação gerou constrangimento e insegurança para a denunciante, que registrou o ocorrido em vídeo e compartilhou nas redes sociais. O episódio de transfobia no Ticen foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, gerando repercussão imediata, com manifestações de apoio e indignação de diversos setores da sociedade.
Entre as reações, destacam-se os posicionamentos dos vereadores Leonel Camasão (PSOL) e Carla Ayres (PT). Em suas redes sociais, Camasão expressou solidariedade à vítima por conta do caso de transfobia no Ticen e reforçou a importância de políticas públicas que garantam a segurança e o respeito às pessoas trans nos espaços públicos da cidade.
“Endy tem nossa integral solidariedade. Estamos entrando em contato para ajudá-la no que for preciso e oficiando a Prefeitura de Florianópolis para nos assegurar de que este tipo de coisa não mais ocorra em espaços de responsabilidade do poder público municipal”, afirmou o vereador. Por sua vez, Carla Ayres sinalizou que “transfobia é crime. Já estamos em contato com a vítima e as medidas cabíveis serão tomadas”.
A presidente do Conselho Municipal LGBTI+ de Florianópolis, Selma Light, afirma que já entrou em contato com a vítima e está prestando apoio, além de reforçar a denúncia de transfobia no Ticen sofrida por Endy.
Até a publicação desta matéria, nem a Prefeitura de Florianópolis nem o Consórcio Fênix se pronunciaram oficialmente sobre o caso. O episódio evidencia que a população trans continua enfrentando discriminação e violência simbólica em locais públicos, incluindo terminais de transporte coletivo, e ressalta a importância de políticas públicas voltadas à inclusão e proteção dessa população.

Transfobia no Ticen não é caso isolado, ataques são recorrentes em SC
O caso de transfobia no Ticen não é isolado. Florianópolis e outras cidades catarinenses têm acumulado episódios de transfobia e violência contra pessoas trans e travestis, muitos deles já noticiados pelo Floripa.LGBT.
Em 2023, o Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ apontou que Santa Catarina registrou cinco mortes violentas de pessoas LGBTI+, sendo três apenas na capital — a maioria, mulheres trans e travestis.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reforçam o cenário preocupante: Florianópolis lidera em Santa Catarina o número de registros de violência contra pessoas LGBTQIA+, com 92 casos apenas no primeiro semestre de 2024.