Stephanny Cassiana da Silva, mulher trans de 40 anos, foi morta a facadas em SC ao defender amiga e filha em São João Batista - Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Uma mulher trans de 40 anos foi morta a facadas na madrugada de 1º de janeiro em São João Batista (SC) após intervir para defender uma amiga e a filha dela contra um homem, segundo a Polícia Militar de Santa Catarina.
Identificada como Stephanny Cassiana da Silva, natural de Goiana (PE), ela estava na casa da amiga comemorando o Ano-Novo quando o companheiro da amiga, de 41 anos e alcoolizado, começou a ofender verbalmente sua parceira por volta das 5 h. A filha da mulher tentou intervir e foi empurrada pelo agressor.
Stephanny conseguiu retirar a amiga e a filha da casa e, em seguida, trancou-se com o suspeito na tentativa de acalmá-lo. O homem a esfaqueou por diversas vezes no peito, costas e cabeça.
Ao ouvirem os gritos, a mãe e a filha retornaram à residência e encontraram Stephanny gravemente ferida e o homem ainda no local, antes de a Polícia Militar ser acionada. O Samu e a polícia foram chamados e Stephanny foi levada ao Hospital Monsenhor José Locks, mas morreu ao dar entrada na unidade.
O suspeito fugiu antes da chegada dos agentes e não foi localizado até a publicação desta matéria. A ocorrência está sendo investigada como feminicídio, com buscas em andamento para localizar o homem suspeito de matar Stephanny.
O caso rapidamente ganhou repercussão nacional. Nas redes sociais, amigos de Stephanny prestaram homenagens a ela, fazendo comentários na última publicação dela no Instagram:
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Morte de mulher trans a facadas é investigada como feminicídio
O crime é investigado como feminicídio, e a polícia segue realizando buscas na região para localizar o homem suspeito de esfaquear e matar Stephanny.
Desde 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o entendimento de que a Lei Maria da Penha também se aplica a mulheres transgênero, ao reconhecer que a legislação trata de violência de gênero, independentemente de a vítima ser cisgênero ou não. Decisões nesse sentido já vinham sendo adotadas no país desde 2010.
Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime que os dispositivos da Lei Maria da Penha também se aplicam a mulheres trans, travestis e casais homoafetivos.