Como pessoa da comunidade queer, conhecer formas de autodefesa é de extrema importância - Foto: Diana Rech/Divulgação/Floripa.LGBT
O dia 28 de junho, além de ser o dia do orgulho LGBT+, é também a data do curso teórico-prático de defesa pessoal LGBT+. A aula é ministrada pela primeira mulher trans do mundo a conquistar o título de Instrutora pela “International Traditional Kung Fu Association”, a são-josefense Diana Rech.
A aula única de defesa pessoal para pessoas LGBT+ tem valor fixo de R$ 30 para inscrição e há 20 vagas disponíveis. Para validar os ingressos é preciso entrar em contato direto pelo instagram (@diana_kungfu).
O curso será ministrado totalmente de forma presencial às 13h30 na escola Choy Lay Fut de Kung Fu, no Kobrasol. “A previsão de duração é de 1 hora e 30 minutos, sendo os primeiros 30 minutos de conversa e teoria, e o restante de prática”, afirma Diana.
Vale lembrar que por serem aulas abordam conteúdos como violência física e sexual, a participação é recomendada para pessoas maiores de 16 anos.
As aulas tem como objetivo discutir o funcionamento da legítima defesa pessoal, entendendo como evitar ou reagir diante as diferentes violências que pessoas LGBT+ sofrem cotidianamente.

Para Diana, a data do dia 28 foi escolhida de forma quase simbólica: “imaginei que seria uma data chamativa, e que obviamente combinava com o objetivo do curso”. Para ela, como pessoa trans e participante da comunidade LGBT+, a autodefesa é de extrema importância.
“Eu comecei a prática do Kung Fu antes da minha transição, pois sempre fui uma pessoa muito paranóica e, conhecendo o país em que vivemos, sentia que não seria seguro transicionar sem antes ter a confiança de que seria capaz de me defender em uma situação de violência. Quando conquistei isso, imaginei que outras pessoas também viveriam na mesma situação”, comenta a instrutora faixa marrom.
Assim como completa Diana, as aulas de defesa pessoal oferecidas normalmente não têm grande participação de pessoas LGBT+. “Imagino que o motivo de muitas pessoas da comunidade não buscarem as artes marciais se deva ao receio de sofrer preconceito em ambientes como academias de luta”, afirma.
Apesar de práticas marciais e de lutas serem muitas vezes relacionadas ao público masculino heteronormativo, muitas escolas e ambientes acolhem e protegem o público LGBT+.

O título de instrutora sendo a primeira mulher trans a alcançar a nomeação veio para Diana como um certo peso aos 21 anos.
“Seja por falta de registro, ou por realmente não haver, admito que é algo que assusta, apesar de haver uma espécie de ‘glamour’ em ser a primeira, também significa ser a responsável por abrir o caminho para as próximas, e isso não é uma tarefa fácil”.
“Apesar de ter pesquisado muito desde antes de transicionar, não achei nenhuma história, relato, artigo ou dado sobre outra mulher trans ensinando Kung Fu, seja no Brasil ou no restante do mundo”, completa.
Veja o convite para a aula de defesa pessoal LGBT+ no dia 28
Ver essa foto no Instagram
* Sob supervisão de Danilo Duarte