O desembargador João Marcos Buch atua no Tribunal de Justiça de Santa Catarina - Foto: Divulgação/Floripa.LGBT
O desembargador João Marcos Buch, integrante do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), denunciou ter sido alvo de ataques homofóbicos feitos por advogados em um grupo de WhatsApp destinado a profissionais do direito. As mensagens, que circulavam de forma restrita, chegaram ao magistrado no fim de semana e motivaram a divulgação de uma nota pública e o anúncio de medidas jurídicas.
Segundo Buch, um dos advogados escreveu no grupo: “aconteceu um problema aqui, peguei um gay, um desembargador gay.” Em outro trecho, o mesmo profissional referiu-se ao magistrado dizendo: “caiu nas mãos de um desembargador chamado João Marcos Buch, gay, casado com outro homem.”
Outros participantes reforçaram o teor discriminatório ao classificá-lo como “polêmico” e afirmar que ele “soltava preso direto”.
Em publicação feita nas redes sociais, Buch afirmou que críticas a decisões são parte da democracia, mas rejeitou ataques pessoais baseados em orientação sexual.
“Críticas a decisões judiciais são naturais em um Estado Democrático de Direito, mas ataques pessoais, motivados por preconceito e hostilidade, configuram discurso de ódio e não serão tolerados”, disse o desembargador.
O magistrado informou ainda que não pretende “relevar o episódio” e que tomou a decisão de levar o caso às instâncias pertinentes. “Adotarei as medidas legais cabíveis”, declarou.
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A identidade dos advogados envolvidos não foi divulgada até o momento. Procurado, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Também não há informações confirmadas sobre eventual procedimento disciplinar contra os autores das mensagens. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Santa Catarina (OAB-SC) também não se pronunciou até esta publicação.
Quem é o desembargador João Marcos Buch
João Marcos Buch é desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina desde março de 2025, após três décadas de atuação na magistratura em comarcas como Florianópolis, Joinville e Imbituba.
Formado em Direito pela FURB e mestre pela Univali, ele é conhecido pela atuação na execução penal e por defender a humanização do sistema prisional.
Ganhou destaque nacional ao assumir o cargo com um discurso que homenageou o marido — episódio registrado pelo Floripa.LGBT como um marco de representatividade no Judiciário catarinense — reforçando seu compromisso público com direitos humanos e diversidade.