Morre Volmar Santos, fundador da Coligay, a primeira torcida LGBT+ no futebol - Foto: Divulgação/Floripa.LGBT
Morreu na segunda-feira (19), em Passo Fundo (RS), Volmar Santos, fundador da Coligay, a primeira torcida de futebol LGBTQIA+ do Brasil. A informação da morte de Volmar foi confirmada por amigos próximos e familiares.
Ele estava internado no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em sua cidade natal, Passo Fundo (RS), por problemas cardíacos. Volmar tinha 77 anos. O sepultamento aconteceu nesta terça-feira (20).
Além de uma longa carreira na área de comunicação, tendo atuado como radialista, produtor cultural e colunista social, Volmar Santos era apaixonado pelo Grêmio. Um de seus maiores legados foi a fundação da Coligay, torcida organizada do time tricolor gaúcho, em 1977.
Em nota, o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ rendeu homenagens e reverenciou o legado deixado por Volmar:
“Mais do que um torcedor, Volmar foi um visionário e um desbravador. Em 1977, em plena ditadura militar, ele teve a coragem de levantar a bandeira da diversidade nas arquibancadas, provando que o amor pelo clube e o respeito à identidade de gênero e a orientação sexual podem e devem caminhar juntos.
A existência da Canarinhos e de tantas outras torcidas LGBTQ+ espalhadas pelo Brasil é fruto direto da semente plantada por Volmar. Se hoje temos voz para lutar contra a homofobia nos estádios, é porque ele deu os primeiros passos em um território que muitos consideravam intransponível.”
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O clube pelo qual Volmar Santos era apaixonado também prestou homenagens ao gremista e ativista LGBT+ que fez história ao criar a primeira torcida LGBTQIA+ do Brasil.
Na nota, publicada nas redes sociais do time, Volmar é chamado de “um pioneiro, um sonhador, um símbolo de coragem e amor pelo Grêmio”:
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Em 2023, Volmar foi homenageado pelo Grêmio, em reconhecimento a sua importância na história do clube. Recebeu camiseta e braçadeira de capitão com as cores da bandeira LGBT+.
Volmar Santos fundou a Coligay, a 1ª torcida LGBTQIA+ do Brasil
Graças a sua paixão por futebol e em especial pelo Grêmio, Volmar Santos fundou a Coligay em 1977, em meio à ditadura militar que imperava no Brasil. A Rádio Gaúcha lembrou que a Coligay marcou época ao ocupar as arquibancadas do Estádio Olímpico com bandeiras coloridas, canções e mensagens de combate ao preconceito, em plena ditadura militar.
A torcida ganhou fama de “pé-quente” e essa fama ultrapassou o Rio Grande do Sul. A Coligay foi convidada pelo presidente do Corinthians na época, Vicente Matheus, para assistir no Morumbi à final do Campeonato Paulista de 1977. E o convite deu certo: com um gol de Basílio o time venceu o campeonato e encerrou um jejum de 23 anos sem títulos.
O grupo encerrou as atividades em 1983 por conta da necessidade de Volmar voltar para Passo Fundo para cuidar da mãe. Mesmo com vida curta, a Coligay marcou uma história de pioneirismo em meio à ditadura militar.
Ao longo das décadas, a trajetória da Coligay ganhou reconhecimento nacional e internacional, e foi retratada em livros, reportagens e produções audiovisuais.

Em 2014, essa história foi registrada no livro Coligay: Tricolores de Todas as Cores, de Léo Gerchmann, que se tornou amigo próximo de Volmar durante o processo de pesquisa da obra.
“Ele era a fonte principal do livro, claro, mas acabamos nos tornando muito amigos. A gente conversava no mínimo semanalmente por meses. Volmar era um cara espetacular, com um coração gentil, sensível, bom. Um homem realmente fora de série”, afirmou Gerchmann à Gaúcha.
Nos últimos anos, a história da Coligay voltou a ganhar destaque com o anúncio de uma minissérie e de um filme inspirados na trajetória da torcida.