Fatos e Babados

Drag queen incomoda deputado estadual de Santa Catarina

Deputado que só aparece quando se envolve em polêmicas e pautas que não lhe dizem respeito questionou recepção aos calouros da Udesc

Drag queen Suzaninha apresentou o evento de Boas-Vindas Calourada 2025 da Udesc
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Nhain, minhas bonitas, simbora pra mais um Fatos e Babados? Confesso que a temática de hoje eu queria empurrar pra debaixo do tapete — afinal, eu é que não ia bater tambor pra louco dançar. Mas já que a merda toda já foi jogada no ventilador, vamos hablar do que importa: meu direito de resposta.

Drag queen Suzaninha apresentou o evento de Boas-Vindas Calourada 2025 da Udesc
Drag queen Suzaninha apresentou o evento de Boas-Vindas Calourada 2025 da Udesc - Foto: Reprodução/Youtube/Udesc

Recentemente, tive o prazer de ser apresentadora das Boas-Vindas Calourada 2025 da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Universidade esta que tenho a honra de dizer que fui aluna de Licenciatura em Teatro, e que boa parte da minha jornada artística foi experimentada e criada por ali.

Hoje, se sou a primeira drag queen catarinense a receber a maior honraria da cultura do estado, a Medalha Cruz e Sousa, é porque meu trabalho afeta. Mas há quem se incomode com uma drag queen — além do meu stalker “secreto” que vai perder o réu primário?

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Obviamente que eu incomodaria o lado mais obscuro da força — o homem de direita, que defende a família tradicional, a pátria e Deus.

Um deputado catarinense veio a público questionar os motivos pelos quais a Udesc contratou uma drag queen para receber os calouros.

Aponta, inclusive, que meu cachê seria muito caro para a ação, já que, segundo ele, “quem seria Suzaninha?”.

Tudo isso pago com os impostos do povo catarinense, que teria seus filhos educados por uma drag queen numa instituição pública. Aquela ladainha de sempre!

Sinceramente, um deputado estadual que só aparece quando se envolve em polêmicas e pautas que não lhe dizem respeito, vale o salário que recebe?

Dando uma pesquisadinha aqui, são quase R$36 mil por mês — para produzir conteúdos de péssima qualidade na internet e falar merda.

Ou seja, se colocarmos na mesa meu cachê para o evento e o salário do deputado — ambos pagos pelo povo —, meu trabalho tem mais sentido do que a função inútil do deputado.

Diante de tudo isso, percebo que o que incomoda, de fato, é:

  1. A Udesc ainda ser uma universidade pública, gratuita e de qualidade;
  2. Eu ser uma drag queen;
  3. A valorização de um artista.

Cito apenas três pontos, mas poderíamos desdobrar esta conversa em muitas camadas, como por exemplo o fiasco que foi o Festival Santa Catarina Canta – Festival Sertanejo, encomendado pessoalmente pelo governador de SC (do PL), no valor de R$ 3 milhões, financiado sem licitação pela Fundação Catarinense de Cultura.

Podemos falar ainda que esta prática lgbtfóbica praticada pelo deputado deveria ser criminalizada, afinal, até quando sua “opinião” vai ser naturalizada?

Portanto, quando alguém tentar desvalorizar seu trabalho, construir narrativas tendenciosas e falsas sobre seu corre, lembre-se: isso diz mais sobre quem aponta do que sobre você.

Eles passarão, nós… passarinhos!

XoXo,
Su.

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