A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) publicou a oitava edição do Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras. Comparado ao ano de 2023, a pesquisa mostra uma diminuição de 16%, com 122 mortes em 2024,o que significa que foram 23 casos a menos do que em 2023.

Apesar do número que se enquadra abaixo da média de 125 mortes por ano, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans pelo 16º ano consecutivo.
Fazendo um comparativo entre os meses, foi possível estimar uma média de 10 assassinatos por mês. O ano de 2024 iniciou com 14 vítimas, e dezembro, com 21 mortes, mais do que o dobro da média mensal.
Os dados coletados pela Antra indicam que a vítima mais nova tinha 15 anos, e a mais velha passava dos 60. Do total de 122 assassinatos, a maior quantidade de casos se encaixa entre a faixa etária de 18 a 29 anos, com 38 vítimas.
“Desses [assassinatos], 5 foram cometidos contra pessoas trans defensoras de direitos humanos, uma delas suplente de vereadora e outra que já havia se candidatado a cargo político”, afirma a pesquisa.
Antra e a contagem pelo Brasil
Em 2024, a pesquisa identificou a região nordeste como o maior polo de assassinatos, com 49 casos (41%), se aproximando ao ano de 2020, que chegou à porcentagem de 43%. Já no sul do Brasil, com menor número de mortes, foram contabilizados 8 casos (7%).
Ainda, a pesquisa apresenta que a maioria dos assassinatos (83 casos) “aconteceram fora das capitais dos estados, em cidades do interior”.
Apesar da região sudeste não ser o maior polo dos casos de violência, a Antra indicou São Paulo como o estado com maior número de mortes (16 casos), seguido por Minas Gerais e com Rio de Janeiro em quarto lugar, foram 41 assassinatos apenas no Sudeste.

O gênero por trás da violência
Já conhecido por ser um país com altos casos de feminicídio, o Brasil também apresenta alta carga dentro do transfeminicídio. Ao longo dos oito anos de coleta de dados, a Antra apresenta um total de 1.141 assassinatos contra pessoas trans e travestis.
Com análise de episódios, a pesquisa indica situações semelhantes aos casos atentados contra mulheres cis, porém, contra mulheres trans, a carga de preconceito adiciona outra camada à de violência.
Em 2024, dos 122 assassinatos, cinco homens trans e pessoas transmasculinas foram mortas. Durante os oito anos de coleta de dados, foram contabilizados 37 assassinatos de homens trans pela Antra, “que representam 3% da amostra total para esse período”, afirma a pesquisa.
“A partir desses dados, podemos concluir que, em 2024, uma pessoa transfeminina (travesti ou mulher trans) tem até 30 vezes mais chances de ser assassinada, sobretudo no espaço público que uma pessoa transmasculina ou não binária, o que deixa claro, portanto, que a sua identidade de gênero e os estigmas em torno das travestilidades representam fatores de alto risco.”
Pensando na não-binariedade, há ainda uma escassez de dados para análise. “Até o momento, apenas um caso foi identificado, registrado em 2017, no qual a identidade não binária foi explicitamente mencionada na fonte de informação”, diz o material.
Dossiê é produzido desde 2017
A Antra iniciou em 2017 a produção de forma anual de dossiês sobre a violência no Brasil. Na oitava edição, o documento tem ajudado a trazer ao público mais sobre a violência velada no país que mais mata pessoas trans e travestis.
Com coleta de dados principalmente retirada de conteúdos jornalísticos, a Antra cria um processo cíclico de coletar e repassar informações.
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* Sob supervisão de Danilo Duarte