Professor é agredido em escola do bairro Rio Vermelho e denuncia ataque homofóbico - Foto: Divulgação/Floripa.LGBT
Um novo ataque homofóbico foi registrado em Florianópolis nesta quarta-feira (25). Desta vez, um professor da Escola de Educação Básica do Muquém, no bairro Rio Vermelho, foi agredido por um homem que o abordou na frente da escola e o espancou com socos e chutes. Ele denuncia o caso como ataque homofóbico e é o segundo na mesma escola.
Segundo relato do educador à NDTV, o agressor e responsável pelo ataque homofóbico é pai de estudantes da instituição e já havia protagonizado outros episódios de violência contra profissionais da unidade. O professor ficou com ferimentos no rosto, na orelha e nas pernas.
A vítima, que é assumidamente gay, afirma que o ataque foi motivado por LGBTfobia. “Eu não escondo minha orientação sexual. Sempre fui respeitado pela comunidade escolar, e acredito que isso incomoda algumas pessoas. Quando um aluno chega em casa e demonstra carinho e admiração por um professor LGBT, há famílias que reagem com ódio”, declarou em entrevista à emissora.
O agressor do ataque homofóbico teria acusado o professor de assédio de forma falsa, na frente da escola, diante de estudantes, pais e professores, antes de partir para a violência física.
“Ele me abordou dizendo que eu havia passado o pinto em um estudante, o que é uma acusação absurda. Quando tentei levá-lo para dentro da escola para conversar, ele começou a me bater. Caí no chão e fui chutado nas costelas”, relatou.
Durante a fuga, o agressor ainda teria feito ameaças de morte, segundo o professor. “Ele gritou que da próxima vez ia dar um tiro no meio da minha cara”, afirmou o professor. De acordo com outros profissionais da escola, há temor de que ele volte armado ao local.
O homem já foi identificado, apesar dele ter fugido logo após o ataque homofóbico, e a Polícia Militar foi acionada. Conforme o repórter Felipe Kreusch, da NDTV, o suspeito já possui diversos registros de ocorrências policiais.
Histórico de ameaças e perseguições
O ataque homofóbico desta terça-feira não é o primeiro ato violento protagonizado pelo mesmo homem na EEB do Muquém. O Floripa.LGBT confirmou a informação que uma professora também já havia sido vítima de perseguição por parte do agressor, em 2022.
Na época, ele espalhou falsas acusações de que a docente promovia “banheiro unissex” e “ideologia de gênero” na escola, o que levou a educadora a ser afastada das atividades. Posteriormente, a Justiça considerou o processo infundado e determinou sua reintegração.
Além da perseguição pessoal, ele organizou protestos em frente à unidade escolar, lançou ovos e pedras contra veículos de professores e chegou a ser condenado pela Justiça, mas recebeu pena branda: pagamento de meio salário mínimo. Mesmo assim, continuou frequentando a escola, onde teria, inclusive, livre acesso e atuação informal nos espaços.
Professores pedem proteção após ataque homofóbico
Após a nova agressão, professores da EEB do Muquém suspenderam as aulas e estudam a solicitação de medidas protetivas à Justiça. A comunidade escolar relatou à emissora que o clima é de medo constante e que o Estado tem sido omisso diante das ameaças e agressões recorrentes.
“Esse homem circula pela escola como se fosse funcionário. Está presente todos os dias, mesmo com histórico de violência. E a resposta que tivemos até hoje foi o silêncio”, disse uma das professoras.
Ao Floripa.LGBT, a professora reforçou que a maioria dos professores perseguidos são mulheres e pessoas LGBT+. “E essa violência contra os LGBTs dentro das escolas, essa onda do conservadorismo, têm criado uma violência extrema. E ainda mais no mês do orgulho LGBT+”, desabafa.
LGBTfobia é crime
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo, o que torna atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero puníveis com prisão.
Ataques como o ocorrido nos Ingleses refletem uma realidade preocupante para profissionais LGBT+ em ambientes escolares, onde a intolerância ainda se manifesta de forma violenta e institucionalmente negligenciada.