Os estudos para o tratamento do HIV avançam - Foto: Divulgação/Floripa.LGBT
Uma nova abordagem científica acende expectativas para o tratamento para o HIV. Cientistas publicaram no final de maio resultados de uma pesquisa que “acorda” o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e presente em células brancas infectadas, o que apesar de parecer simples, é um grande avanço para o tratamento contra o vírus.
O tratamento para o HIV atual funciona de forma que bloqueia a replicação do vírus no corpo humano, o que evita a transmissão e o aparecimento de sintomas e doenças. Com isso, o vírus fica indetectável, o que de certa forma dificulta a criação de meios para eliminá-lo do sistema.
A pesquisa apresentada traz uma forma de acordar o patógeno que antes se mantinha indetectável, o que pode possibilitar uma melhor forma de lidar com o vírus.
O método produzido se assemelha ao procedimento feito a partir das vacinas contra a Covid-19. De forma técnica, é utilizado um RNA mensageiro (mRNA) que entra nas células imunes e despertam o vírus caso elas estejam infectadas.
No estudo, os cientistas não conseguem informar ainda se o procedimento funciona no corpo humano. Isso porque as análises foram feitas apenas em células contaminadas de forma isolada.

“No campo da biomedicina, muitas coisas acabam não chegando à clínica, essa é a triste verdade; não quero pintar um quadro mais bonito do que é a realidade”, enfatiza Paula Cevaal, pesquisadora do Instituto Doherty e autora do artigo.
“Mas, especificamente no campo da cura do HIV, nunca vimos nada que se aproxime do que estamos vendo agora, em termos de quão bem conseguimos revelar esse vírus”, completa em entrevista ao The Guardian.
Ainda, os resultados do estudo para mudar o tratamento para o HIV não conseguem informar se essa estratégia é capaz de acordar todas as células infectadas, nem se despertar os vírus é suficiente para que ele seja completamente eliminado do corpo.
Como funciona o tratamento para o HIV atualmente?
O tratamento para o HIV atualmente é feito a partir de medicamentos controlados, como a lamivudina, tenofovir, dolutegravir e efavirenz. Os remédios funcionam como forma de impedir a multiplicação do vírus na corrente sanguínea, de certa forma mantendo os sintomas “adormecidos”.

De acordo com o Manual MSD, os medicamentos usados para tratar a infecção foram desenvolvidos com base no ciclo de vida do vírus. Os mesmos impedem a entrada do HIV nas células-alvo ou inibem as três enzimas (transcriptase reversa, integrase e protease) que o vírus utiliza para se replicar.
O tratamento necessário para controlar o vírus e evitar um quadro desenvolvido de aids pode ser feito de forma gratuita pelo SUS, acompanhado e orientado por profissionais. Além disso, o Ministério da Saúde disponibiliza site com informações detalhadas sobre o vírus.
* Sob supervisão de Danilo Duarte