Uma Nota Técnica do Ministério da Saúde (MS), atualizada no final de abril, renova o documento sobre o tratamento de HIV e Aids. A nota atualiza sobre a possibilidade de tratar HIV em comprimido único para pessoas a partir de 40 anos sem necessidade de período de transição.

O tratamento mais comum é no uso da “terapia dupla”, que continua recomendado para pessoas acima de 18 anos. Na prática, o que muda com a nova atualização é a quantidade de pílulas (2 de lamivudina + 1 de dolutegravir), passando para apenas uma.
A Nota 91/2025 informa que o paciente deve ter iniciado a terapia dupla até 1º de setembro de 2024, alterando o antigo prazo que solicitava o início até março do mesmo ano.
Em seu perfil no Instagram, o Dr. Vinicius Borges comentou que a terapia dupla é hoje o esquema mais atualizado para o tratamento de HIV disponível no SUS, sem o uso do Tenofovir, substância que gerava preocupações sobre seus efeitos colaterais
“Entretanto, existem critérios estabelecidos para aderir a esse esquema: excelente adesão ao tratamento, ausência de falha virológica prévia e ausência de mutações virais de resistência à Lamivudina, entre outros”, explica o infectologista.
A ideia de tratar HIV em comprimido único ainda tem sido estudada, buscando diminuir a faixa de idade para o conforto de pacientes mais jovens. A ideia é diminuir a idade mínima de 40 anos.
A importância de tratar HIV em comprimido único
A possibilidade de tratar HIV em comprimido único representa um avanço importante para a qualidade de vida de quem vive com esse tipo de vírus. A redução no número de pílulas diárias consequentemente deixa mais fácil a adesão ao tratamento.
Essa mudança é vista como estratégica principalmente para populações que enfrentam barreiras de acesso à saúde ou lidam com estigmas relacionados ao HIV, e está disponível pelo SUS.

O Ministério da Saúde segue os estudos que buscam tratar HIV em comprimido único, com a ideia de abaixar a faixa mínima de idade. Amanda Paschoal, vereadora trans de São Paulo, reitera a importância da inovação em comentário no post do Dr. Vinicius Borges.
“As pessoas que vivem com HIV merecem ter seu direito integral à saúde garantido e é uma tarefa da comunidade científica e da saúde garantir novas tecnologias que facilitem a vida e promovam qualidade de vida!”.
Como funciona a terapia dupla no tratamento do HIV
A terapia dupla é atualmente uma das principais estratégias utilizadas para tratar o HIV. O esquema combina dois compostos que trazem menos riscos de efeitos colaterais (lamivudina e dolutegravir), como forma de controlar a carga viral.
De acordo com a Nota Técnica 91/2025, no Brasil são “cerca de 830 pessoas em terapia antirretroviral, das quais mais de 160 mil estão em uso de terapia dupla”. Com resultados positivos e adesão dos pacientes, o tratamento precisa sempre ser acompanhado de um médico.
A proposta de tratar HIV em comprimido único surge justamente como uma evolução desse tratamento, tentando simplificar a rotina para pacientes.
Com o novo protocolo do Ministério da Saúde, pessoas a partir de 40 anos que já seguem a terapia dupla poderão optar para o regime de um comprimido diário, sem necessidade de passar pela transição.
* Sob supervisão de Danilo Duarte