Placas proíbem nudismo na praia da Galheta

A abertura do projeto de lei contra o nudismo na Praia da Galheta e em outras praias catarinenses voltou a tramitar na Assembleia Legislativa – Reprodução/Floripa.LGBT

Depois de arquivado no final de abril, o projeto de lei que proíbe o nudismo na Praia da Galheta e em outras praias de SC voltou ao debate na Alesc
Compartilhar

O Projeto de Lei (PL) que tenta proibir a prática de naturismo a céu aberto em Santa Catarina voltou a tramitar na Assembleia Legislativa (Alesc). Arquivado no dia 29 de abril, o projeto contra o nudismo na Praia da Galheta foi reaberto durante o mês de junho pelo deputado Jessé Lopes (PL), autor do projeto.

A abertura do projeto de lei contra o nudismo na Praia da Galheta e em outras praias catarinenses é o novo episódio, após a aprovação de pedido de arquivamento proposto pelo deputado Alex Brasil (PL), com 18 votos contrários e 9 a favor. Com a volta da tramitação, o PL deve ser analisado pelas comissões de Direitos Humanos e Turismo de Santa Catarina, e em caso de aprovação, votado em plenário.

O PL./0112/2025 propõe multar a prática de nudismo a céu aberto e em praias de SC, incluindo o nudismo na Praia da Galheta, em Florianópolis. Ele é defendido pelo deputado Lopes a partir de argumentos LGBTfóbicos. No caso da Praia da Galheta, o parlamentar argumenta que “não é praia de nudismo, é praia de bixa”.

Leia também:  Florianópolis participa de pesquisa nacional sobre o Lenacapavir em prevenção ao HIV

O deputado Alex Brasil, por outro lado, afirma a inadmissibilidade da proposta que proíbe o nudismo na Praia da Galheta e em outras praias, baseada em uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) na liberação da prática de nudismo em praia do Rio de Janeiro.

Projeto de lei busca multar em até R$5 mil pessoas que praticam o naturismo - Foto: PMF/Divulgação/Floripa.LGBT
Projeto de lei busca multar em até R$ 5 mil pessoas que praticam o naturismo e o nudismo – Foto: PMF / Divulgação / Floripa.LGBT

“Nesse contexto, observa-se que, se mostrou mais razoável não proibir, mas regulamentar a prática do naturismo em locais bem delimitados, buscando um equilíbrio entre a liberdade individual e a preservação da ordem pública”, afirmou Alex Brasil no relatório.

Enquanto isso, uma proposta tramita na Câmara de Vereadores da Capital, que propõe justamente a regularização do nudismo na Praia da Galheta.

O projeto de lei 19423/2024 foi proposto pelos vereadores Carla Ayres (PT) e Dinho (UNIÃO), e busca criar um conjunto de regras de segurança e delimitações para a prática em áreas da praia. Atualmente o debate sobre o nudismo na Praia da Galheta está na Comissão de Constituição e Justiça do Parlamento municipal.

O naturismo e nudismo na Praia da Galheta

Em março deste ano, uma audiência pública para discutir o futuro da Praia da Galheta aconteceu na Alesc. O principal ponto do debate foi a segurança pública e a preservação da região.

Leia também:  Gloria Groove é confirmada como atração principal do Pop Gay 2026

O naturismo é uma filosofia de vida que prevê a nudez opcional e a conexão com a natureza. A Praia da Galheta é tida como a única praia naturista de Florianópolis e uma das principais do Brasil, de acordo com a Federação Brasileira de Naturismo. Desde a década de 1960, a praia se tornou um dos principais destinos naturistas do Brasil.

A prática foi oficializada em 1997 por meio da lei 195/97. No entanto, em 2016, a lei municipal 10.100/2016 revogou essa regulamentação, deixando o naturismo em um limbo legal.

Desde então, a ausência de regras claras tem gerado insegurança, além de conflitos entre frequentadores e autoridades. A falta de regulamentação também levou a um aumento de relatos de violência e LGBTfobia contra os naturistas, já que a praia tem um histórico de acolhimento ao público LGBTQIA+.

* Sob supervisão de Danilo Duarte

Leia também:  Deputados aprovam projeto para excluir cotas trans e outras ações afirmativas em universidades de SC

Sobre o autor


Compartilhar