projeto lgbtfóbico de vereadora conservadora florianópolis pode enfraquecer plano municipal LGBT+
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Plano Municipal LGBT+ pode ser enfraquecido por projeto conservador

Com cinco votos favoráveis e dois contra, o projeto LGBTfóbico que atinge Plano Municipal LGBT+ foi aprovado na CCJ da Câmara de Vereadores

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O Plano Municipal LGBT+ pode ficar enfraquecido com um projeto que acaba de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Florianópolis. Apesar de votos contrários na sessão, a maioria dos vereadores decidiram que a proposta que ataca o Plano Municipal LGBT+ cumpre com a Constituição.

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Manu Vieira é autora do PDL que exclui anexo sobre educação do Plano de Políticas Públicas LGBT – CMF/Reprodução/Floripa.LGBT

Conhecido como PDL “Educação sem Ideologia”, o Projeto de Decreto Legislativo 02542/2024 quer suspender um anexo sobre educação do Plano Municipal de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT+.

A justificativa da autora, a vereadora Manu Vieira (PL), é de que a inserção da “ideologia de gênero” às crianças e adolescentes na rede municipal de ensino fere a constituição.

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Na sessão, Manu Vieira justificou que o projeto vem para provocar uma discussão sobre um tema que veio de uma conferência de um público limitado [LGBT] e que outras pessoas não tiveram direito de se manifestar.

Ela também afirma que as políticas públicas do Plano Municipal LGBT+ foram impostas a todos os outros cidadãos, e não só à comunidade LGBTQIA+ de Florianópolis.

Vereadora LGBT é contrária a projeto que ataca o Plano Municipal LGBT+

A vereadora Carla Ayres (PT) votou contra a aprovação da matéria, justificando que o Plano de Políticas LGBT+ foi formulado a partir de uma conferência convocada e organizada pelo próprio município e que as conferências são protegidas pela Constituição Federal. Carla também destacou que não cabe à Câmara discutir políticas públicas que foram discutidas e aprovadas há anos atrás.

“O momento de discutir tais políticas ocorreu justamente durante a realização da conferência, que foi um espaço aberto para a sociedade civil interessada, de modo que não restringiu a participação de qualquer pessoa, tendo cumprido com todos os requisitos formais e legais para sua ocorrência”, afirmou a vereadora, em voto.

Ainda em seu voto, a vereadora lembrou que a Procuradoria Geral do Município já havia se manifestado contrária à aprovação da matéria.

Segundo a Procuradoria, os decretos legislativos devem ser usados para conter possíveis abusos do prefeito na publicação de decretos municipais, o que não é o caso do Plano Municipal de Políticas Públicas LGBT+.

conselho municipal LGBT de florianópolis
O Conselho Municipal LGBT de Florianópolis acompanha a discussão e cobra a execução do Plano Municipal LGBT+ – Foto: @conselholgbtfloripa/ Reprodução

O vereador Dinho (União) votou junto com Carla Ayres e lembrou a visita feita pelos ativistas LGBT Miguel Gregório e Selma Light no gabinete. Ele também destacou a importância da discussão do assunto, que aconteceu na conferência.

“Eu recebi o Miguel Gregório e a Selma Light, pedindo que a gente não ‘sangrasse’ dessa forma, uma política que foi construída na conferência […] Nós não podemos estar suprimindo artigos e parágrafos de pequenos avanços que já se tem”, afirmou.

Agora, o projeto LGBTfóbico segue para a Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Pública (CDCDHSP).

* Sob supervisão de Danilo Duarte

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