Projeto de lei apresentado em São José propõe restringir a participação de atletas trans em esportes femininos - Imagem: Reprodução/ Floripa.LGBT

Projeto de lei apresentado em São José propõe restringir a participação de atletas trans em esportes femininos - Imagem: Reprodução/ Floripa.LGBT

Proposta gerou discussões sobre inclusão, regulamentação esportiva e direitos LGBT+ em São José. Ação faz parte de atos mundiais de transfobia
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O vereador Cryslan (NOVO), com apoio de outros parlamentares de São José, apresentou na segunda-feira (10) um projeto de lei que busca proibir a participação de atletas trans em modalidades esportivas femininas. A proposta estabelece que o “sexo biológico” seja o único critério para definir quem pode competir nessas categorias dentro do município.

O vereador Caê Martins (PT), em entrevista ao Floripa.LGBT, afirmou que vem recebendo indignações da comunidade LGBT+ com essa proposta e que se posicionará contra o projeto durante sua tramitação.

Ele destacou que, caso o projeto seja aprovado, há precedentes jurídicos para contestá-lo, pois iniciativas semelhantes já foram derrubadas em outras instâncias.

Pânico moral e falta de prioridade no esporte municipal

Caê também criticou a proposta, afirmando que ela faz parte de um movimento que coloca a comunidade trans como “inimigas públicas”.

“Isso coloca as trans e travestis como inimigas morais da sociedade, desviando a atenção das pautas realmente urgentes para a população, como o direito a emprego, renda, moradia e saúde”, disse o vereador, alertando para a criação de um pânico moral infundado.

Ele ainda pontuou que a regulamentação da participação de atletas trans em competições cabe às federações esportivas, sendo desnecessário um projeto municipal sobre o tema.

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Além disso, questionou se o esporte de São José não possui outras demandas mais urgentes, como incentivo ao esporte de base, infraestrutura adequada e apoio a atletas de alto rendimento.

O caso Tifanny e o cenário internacional

A apresentação do projeto ocorre poucos dias após a atleta trans Tifanny Abreu, ponteira do Osasco-SP, se destacar na Copa Brasil de Voleibol Feminino, competição realizada em São José. O clube conquistou o título e, após a vitória, Tifanny celebrou com um recado contra a transfobia no esporte:

“Chega de transfobia! Vai ter mulher trans campeã, sim!”

A proposta também segue uma tendência de perseguições a atletas trans nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva proibindo estudantes trans de competirem em categorias femininas.

Segundo o decreto, mulheres trans podem competir apenas em modalidades masculinas, enquanto homens trans que utilizam testosterona estão proibidos de disputar em qualquer modalidade.

Trump justificou a decisão afirmando que “homens nunca deveriam ter sido autorizados a competir contra as mulheres, mas tenho orgulho de ser o presidente que vai salvar os esportes femininos. Esperamos que o Comitê Olímpico também use o bom senso e implemente esta política”

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Regulamentação nas Olimpíadas

Nas Olimpíadas, não há uma regra oficial que proíba atletas trans de competirem na categoria que corresponde ao seu gênero. Entretanto, muitos atletas enfrentam desafios relacionados à hormonização, que pode ser considerada doping.

Inclusive, também é comum atletas cis que possuem altos níveis de testosterona serem banidos da competição, evidenciando a complexidade da questão.

* Sob supervisão de Danilo Duarte

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