Audiência Pública sobre o futuro da Praia da Galheta na Alesc
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Comunidade pede mais segurança em audiência pública sobre a Praia da Galheta: ’24 anos pedindo socorro’

Audiência pública para discutir o uso e a segurança na Praia da Galheta aconteceu na última quinta-feira (20) em Florianópolis

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A audiência pública que discutiu o futuro da Praia da Galheta, na última quinta-feira (20), reuniu autoridades, representantes das forças de segurança e sociedade civil. O principal ponto do debate foi a segurança pública e a preservação do espaço, hoje uma Unidade de Conservação (UC).

Audiência Pública sobre o futuro da Praia da Galheta na Alesc
Naturista pedem por mais segurança – Foto: Vicente Schmitt/Agência/Reprodução/Floripa.LGBT

Apesar de todos reconhecerem os problemas que acontecem na Praia da Galheta, as propostas para tornar o espaço mais seguro são opostas, o que motivou a realização da audiência. De um lado, proibir o nudismo e intensificar fiscalizações, de outro, regulamentar a prática e dar segurança aos frequentadores.

Marianne Matos, vice-prefeita da Capital e responsável pela segurança pública do município, descreveu a Praia da Galheta, através de um relato de um surfista, como um ambiente promíscuo e desrespeitoso. Ela reforçou a proibição do nudismo e que trabalha para cumprir a lei e trazer mais segurança para o local.

“Desde 2016 a autorização para o nudismo foi retirada da lei e não posso permitir que uma pessoa tire a roupa na praia. Não pode ficar pelado no espaço público e não vamos medir forças para trazer aquele ambiente para todos que queiram frequentar com tranquilidade”, garantiu a vice-prefeita.

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O deputado estadual Marquito (PSOL) ressaltou a importância do Plano de Manejo da UC, que já existe, mas não foi publicado. Ele ainda destacou que os atos ilícitos que acontecem na Galheta também existem em outros locais em Florianópolis e, por isso, deve existir cautela ao associar o naturismo e o nudismo aos problemas.

“O Plano de Manejo não foi publicado e a prioridade número um é a publicação do Plano de Manejo, que saiu das construções do Conselho Consultivo, precisamos publicar […] Em várias trilhas acontece importunação, acontecem em muitos outros lugares, não podemos usar das inseguranças para criminalizar o naturismo”, finalizou Marquito.

Audiência Pública sobre o futuro da Praia da Galheta na Alesc
Debate reuniu poder público, comunidade, naturistas e forças de segurança – Foto: Vicente Schmitt/Agência AL/Reprodução/Floripa.LGBT

Dinheiro de indenizações na Praia Mole pode ser investido na Galheta

O procurador Walmor Alves Moreira, do Ministério Público Federal (MPF), propôs que os recursos da indenização e recuperação da área da Praia Mole sejam utilizados também na praia da Galheta. Ele ainda sugeriu que seja realizado um estudo para que a prática do naturismo vá para outra praia da Ilha de Santa Catarina.

O procurador contou que recebeu muitas denúncias de agressão ao meio ambiente, insegurança e violência contra mulheres e adolescentes. Walmor citou o caso da cidade de Barcelona, na Espanha, que tem uma lei de civilidade que proíbe cuspir nas ruas, som acima dos limites e várias outras práticas. Por outro lado, o membro do MPF afirmou que lá não há proibição ao naturismo.

“O MPF oficiou a PMF e ao Judiciário requisitando forças de segurança para conter as práticas criminosas. Em todas as praias as pessoas podem se despir, mas lá [em Barcelona] não observamos nenhuma das práticas que acontecem na praia da Galheta”, sentenciou.

Naturistas pedem por segurança e regulamentação do nudismo

A presidenta da Associação Amigos da Galheta (Agal), Miriam Alles, afirmou que a organização existe há 30 anos e sempre denunciou os crimes de assédio sexual, furto, assalto, venda e consumo de drogas ilícitas, degradação das áreas de preservação permanente, prática de sexo ao ar livre na restinga e turismo sexual.

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Miriam Alles, presidenta da Associação Amigos da Galheta – Foto: Vicente Schmitt/Agência/Reprodução/Floripa.LGBT

Miriam também destacou que o naturismo não pode ser criminalizado, mas que o poder público garanta a segurança e preservação do ambiente. Ela também explicou que a filosofia do naturismo prevê o cuidado com a natureza, além da prática do nudismo na faixa de areia e no mar.

‘Pedimos às autoridades que não criminalizem os naturistas e apoiem a aprovação de uma lei que proteja a prática do naturismo com regras claras, fiscalização eficiente e a presença do poder público’, afirmou Miriam.

Advogado contratado pela Agal, Anselmo Machado reforçou os pedidos dos naturistas associados e destacou que os naturistas também são vítimas de assédio e importunação sexual.

“Fizemos um dossiê que comprova que a Agal vem há 24 anos pedindo socorro para a praia, para que a Floram tomasse providências. Não somos contrários à fiscalização da Polícia Ambiental, da Guarda Municipal, queremos a presença do poder público para garantir o naturismo. Faltam placas explicando como se comportar, vigilância, melhoria do acesso para triciclo”, relatou o advogado.

Vereador denuncia homofobia na Praia da Galheta

O vereador de Florianópolis, Leonel Camasão, usou o espaço na audiência pública para denunciar casos de homofobia na Praia da Galheta. De acordo com o relatório da Agal, imagens mostram frases homofóbicas pichadas nas pedras da praia: “gays e viados, seus dias estão contados”, “morte aos viados”.

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Vereador Leonel Camasão denunciou frases homofóbicas pichadas na pedras da praia – Foto: Vicente Schmitt/Agência AL/Reprodução/Floripa.LGBT

Camasão destacou que a prática de sexo ao ar livre é crime, mas que isso não acontece só na Praia da Galheta, mas também em outros espaços públicos de Florianópolis, como o Parque da Luz, o Manguezal do Itacorubi e trilhas pela ilha. Ele também relembrou os episódios de violência contra homens gays na Galheta, em 2024.

“O que está ausente na Galheta é o Estado. Ano passado, homens gays foram agredidos lá e, na audiência pública na Câmara Municipal, a polícia e guarda disseram que não tinham efetivo. Mas agora tem equipe pra mandar o cidadão colocar bermuda porque está nu, isso é hipocrisia”, reclamou.

O naturismo na Praia da Galheta

O naturismo é uma filosofia de vida que prevê a nudez opcional e a conexão com a natureza. A Praia da Galheta é tida como a única praia naturista de Florianópolis e uma das principais do Brasil, de acordo com a Federação Brasileira de Naturismo. Desde a década de 1960, a praia se tornou um dos principais destinos naturistas do Brasil.

A prática foi oficializada em 1997 por meio da lei 195/97. No entanto, em 2016, a lei municipal 10.100/2016 revogou essa regulamentação, deixando o naturismo em um limbo legal.

Desde então, a ausência de regras claras tem gerado insegurança, além de conflitos entre frequentadores e autoridades. A falta de regulamentação também levou a um aumento de relatos de violência e LGBTfobia contra os naturistas, já que a praia tem um histórico de acolhimento ao público LGBTQIA+.

Assista à audiência pública sobre a Praia da Galheta na íntegra

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