Enquanto não há decisão sobre a regulamentação ou proibição do naturismo na Praia da Galheta, um documento chamado ‘mapa do sexo’ tem sido divulgado e levantado polêmica. A origem do ‘mapa do sexo’ na Praia da Galheta não foi divulgada, mas ele tem sido usado para identificar os locais suspostamente utilizados para prática de relações sexuais.

Ao portal ND+, a secretária e vice-prefeita Maryanne Mattos afirmou que o mapa foi elaborado pela comunidade da Galheta, que flagrou atos sexuais e também registrou pontos com lixo, como camisinhas usadas e lenços umedecidos. Os pontos registrados estão nas trilhas da praia e também próximo à faixa de areia.
De acordo com ela, o mapa tem auxiliado as fiscalizações da Secretaria de Segurança e Ordem Pública de Florianópolis para impedir o nudismo e atos sexuais.
Ainda de acordo com Maryanne, os pontos marcados com um alfinete amarelo são locais onde teriam sido registrados flagrantes ou rastros de sexo ao longo da trilha. As linhas laranjas seriam ‘rotas clandestinas’ abertas em meio a vegetação por quem faz sexo na praia.

Foi com base nesse documento, que a SMSOP, com apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, fez uma ação de fiscalização no final de fevereiro. A iniciativa foi combater o assédio e relações sexuais na praia, mas também proibir a prática do naturismo, que existe há décadas no local.
Mapa do sexo não tem relação com o naturismo
De acordo com a Associação Amigos da Galheta (AGAL), a prática da filosofia do naturismo é restrita à orla da praia (faixa de areia e mar). Nos demais locais como trilhas, restinga, arbustos e pedras, a prática do naturismo é proibida e, portanto, praticantes do naturismo não estão associados às pessoas que fazem sexo na mata. A associação luta pela segurança e preservação da Unidade de Conservação (UC) da Praia da Galheta e reforçam que o naturismo é opcional.
Praia da Galheta terá audiência pública na Alesc
Uma nova audiência pública para discutir segurança pública e preservação da Praia da Galheta está marcada para a próxima quinta-feira (20) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Ainda no legislativo, tramita um projeto de lei que prevê proibir o naturismo em todas as praias do estado. O deputado Jessé Lopes (PL-SC) apresentou o projeto sob a justificativa de que a Galheta “não é praia de nudismo, é praia de bixa” e que tudo que a “gangue LGBT” toca vira “putaria”.
Diante do discurso LGBTfóbico, o vereador de Florianópolis Leonel Camasão (PSOL) denunciou o deputado por homofobia nos Ministérios Públicos Estadual e Federal. Camasão ainda fez uma representação por quebra de decoro parlamentar ao Conselho de Ética da Alesc.
O naturismo na Praia da Galheta
O naturismo é uma filosofia de vida que prevê a nudez opcional e a conexão com a natureza. A Praia da Galheta é tida como a única praia naturista de Florianópolis e uma das principais do Brasil, de acordo com a Federação Brasileira de Naturismo. Desde a década de 1960, a praia se tornou um dos principais destinos naturistas do Brasil.

A prática foi oficializada em 1997 por meio da lei 195/97. No entanto, em 2016, a lei municipal 10.100/2016 revogou essa regulamentação, deixando o naturismo em um limbo legal.
Desde então, a ausência de regras claras tem gerado insegurança, além de conflitos entre frequentadores e autoridades. A falta de regulamentação também levou a um aumento de relatos de violência e LGBTfobia contra os naturistas, já que a praia tem um histórico de acolhimento ao público LGBTQIA+.