Transfobia ambiental: pessoas trans estão entre as mais afetadas por desastres

Mesa da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) no G20 Social, sobre tragédias Ambientais e o impacto para a população LGBTI+, no Espaço Kobra. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação/Floripa.LGBT

Debate sobre transfobia ambiental e os impactos das tragédias ambientais para pessoas trans aconteceu durante o G20 social, no Rio de Janeiro
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Transfobia ambiental é um dos termos que ganhou espaço durante o G20 social, que aconteceu no Rio de Janeiro na última semana. De acordo com movimentos LGBTI+, as pessoas trans estão entre as mais atingidas por desastres ambientais, pois além de perder bens e moradia, enfrentam o preconceito em abrigos e a dificuldade em acessar serviços públicos.

Transfobia ambiental: pessoas trans estão entre as mais afetadas por desastres
Mesa da ABGLT no G20 Social, sobre tragédias ambientais e o impacto para a população LGBTI+, no Espaço Kobra – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Divulgação / Floripa.LGBT

A afirmação foi feita por integrantes de movimentos LGBTI+ na última sexta-feira (15), durante o G20 social, no Rio de Janeiro, que participaram da atividade Tragédias Ambientais e o impacto para a população LGBTI+. As informações são da Agência Brasil.

Um dos exemplos de desastres ambientais recentes de grande impacto são as enchentes que assolaram o Sul do Brasil no primeiro semestre de 2024. Pouco mais de seis meses após as enchentes no Rio Grande do Sul, os impactos sociais continuam sendo discutidos e sentidos pela população.

Um novo termo tem sido debatido entre especialistas e movimentos: a transfobia ambiental, baseada no conceito de racismo ambiental, usado para mostrar como catástrofes ambientais – enchentes, secas, contaminação – impactam de forma mais severa as populações das periferias.

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Pessoas trans tem mais dificuldade em acessar ajuda emergencial

Desabrigadas, as pessoas trans podem ser discriminadas de várias formas, como restrição de uso de banheiros e desrespeito com o nome social e a identidade de gênero. De acordo com a vice-presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Keila Simpson, a população trans tem mais dificuldade para acessar ajuda emergencial.

“Quando abandonam os locais onde vivem e as casas para ir para espaços coletivos, muitas vezes as pessoas não querem dividir espaço com travestis. É uma grande violência e discriminação na vida de uma pessoa que já vem de um sofrimento, que já perdeu as próprias coisas. Quando busca abrigo nesse contexto de vulnerabilidade ainda há o processo de exclusão”, afirma Keila.

A presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, afirma que a associação realizou um seminário para discutir os impactos da tragédia no Rio Grande do Sul e ouvir as pessoas trans atingidas.

“Foi um cenário preocupante. Naquele momento, as pessoas estavam passando por uma tragédia e as pessoas trans não estavam podendo fazer a retirada de kits de higiene ou cesta básica. Eram entregues em unidades militares e essas pessoas estavam sendo proibidas de entrar em quartéis”, relata.

Transfobia ambiental e as demandas da população LGBTI+

Segundo Victor de Wolf, presidente da ABGLT e diretor da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Pessoas Trans e Intersexos (ILGALAC) para o Brasil, a partir das atividades e diálogos no G20 Social, a intenção é enviar um documento com as principais demandas da população LGBTI+ para os líderes mundiais.

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transfobia ambiental G20 social
Victor de Wolf participa de mesa da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) no G20 Social, sobre tragédias Ambientais e o impacto para a população LGBTI+, no Espaço Kobra. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Wolf defende a importância da participação da população LGBTI+ em espaços de discussão internacional. É preciso “entender a participação da sociedade civil como mecanismo e como é possível, pela pressão, como pode influenciar nos mecanismos internacionais e influenciar decisões de governos e atuar junto a instituições”, enfatiza.

* Sob supervisão de Danilo Duarte

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