Advogado de SC é desconvidado de evento da OAB sobre diversidade

Advogado foi desconvidado de evento que discute direitos para pessoas LGBT+; Foto: Divulgação/Floripa.LGBT

Decisão foi tomada pela presidente da OAB/SC sem o advogado saber, que usou as redes sociais para expor o caso, que classificou como censura
Compartilhar

Um advogado de Florianópolis foi vetado de um evento sobre diversidade após ter sido convidado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Santa Catarina (OAB/SC). Rodrigo Sartoti, doutor e mestre em Direito, participaria como palestrante no evento “Existir, amar e respeitar: Do preconceito ao orgulho LGBTQIA+”, organizado pela própria OAB/SC.

Advogado de SC é desconvidado de evento da OAB sobre diversidade
Advogado foi desconvidado de evento que discute direitos para pessoas LGBT+; Foto: Divulgação/Floripa.LGBT

Sartoti só descobriu que sua participação havia sido cancelada após verificar que seu nome não estava na programação do evento, divulgada publicamente no site da OAB/SC. Ele afirma que não recebeu nenhum aviso formal e foi pego de surpresa.

Ao entrar em contato para questionar a organização, ele foi informado sobre o veto, feito pela atual presidente da instituição, Cláudia Prudêncio. O evento, que acontece na próxima terça-feira (25), vai discutir os direitos das pessoas LGBT+, crianças e adolescentes e acesso à saúde.

O advogado considerou a atitude desrespeitosa e usou as redes sociais para expor o caso de censura.

Ele também lembrou que no início do ano, foi expulso da presidência da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SC logo após assinar um mandado de segurança do PSOL, que culminou na proibição da posse do filho do governador Jorginho Mello (PL) como secretário de Estado:

Rodrigo Sartoti é conhecido por atuar em causas LGBT+. Recentemente, foi responsável por advogar no caso da primeira condenação por LGBTfobia em Santa Catarina, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2019, que reconheceu a homofobia como crime de racismo.

Leia também:  Abel Braga é punido por fala homofóbica e recebe suspensão de 5 jogos e multa

O Floripa.LGBT solicitou o posicionamento da OAB/SC sobre o tema. Em nota, a instituição afirma que, em fevereiro deste ano, a Coordenação-Geral das Comissões da OAB-SC expediu uma orientação a ser seguida pelos presidentes de comissões. O documento pediu que os presidentes fossem substituídos, por conta das eleições municipais e eleições dentro da OAB.

“Considerando a gravidade do período, bem como a importância de uma OAB apartidária e independente, decidiu-se pela substituição dos presidentes de comissão que tenham atuação político-partidária, ao menos até o término do certame eleitoral. […] Isso em nada diminui o brilho e a importância do trabalho desenvolvido, pelo qual a CGC é grata, assim como temos a certeza de que toda a advocacia catarinense também o é. “, diz o documento enviado aos presidentes de comissão.

A instituição afirma que o expediente foi enviado para todos os 111 presidentes, resultando no licenciamento de 10 deles, das mais variadas ideologias e partidos políticos.

Confira a nota da OAB/SC:

“Destaca-se que se trata de ano eleitoral, não somente partidário, mas também da própria OAB, e que uma instituição isenta não pode ter um representante que fale em seu nome nos mais variados fóruns, misturando sua predileção e atuação política.

Esta gestão foi eleita sob alguns pilares e, um deles, foi de que a instituição manter-se-ia apartidária. O que de fato sempre fez.

Ainda é importante dizer que os presidentes de comissão são escolhidos como cargo de confiança da presidência da seccional, conforme disposto em seu Regimento e, portanto, a escolha dos que assumem tal posição é discricionária. Ante esta discricionariedade, adotou-se a postura de uma OAB isenta dos debates político-ideológicos-partidários.”

Advogado renuncia ao cargo de relator na Câmara da OAB

Após ter sido vetado do evento, Sartoti enviou um pedido de renúncia à presidente da 2ª Câmara Julgadora da OAB/SC, Maria Terezinha Erbs.

Leia também:  Justiça diz que naturismo na Praia do Pinho não é crime apesar de nova proibição

No documento, ele justificou que não considera adequado continuar como relator, já que não pode participar de eventos acadêmicos dentro da instituição.

Confira um trecho do ofício:

“Essa postura institucional é um desrespeito não apenas comigo – advogado inscrito há mais de 10 anos e com extensa lista de serviços voluntários prestados a esta Seccional –, como também com toda a Advocacia Catarinense. Não é razoável que qualquer advogado seja vetado em eventos da OAB/SC por discordância político-ideológica ou por ter manifestado críticas a determinadas decisões da Diretoria da Seccional. A defesa das liberdades constitucionais é uma das principais finalidades da OAB, tanto que, em frente à sede da OAB/SC, há um monumento intitulado “Liberdade” e que ostenta essa mesma palavra em letras maiúsculas. Entretanto, parece-me que a liberdade de expressão não tem adentrado o prédio desta Seccional nos últimos tempos.”

* Sob supervisão de Danilo Duarte

Leia também:  Gloria Groove é confirmada como atração principal do Pop Gay 2026

Sobre o autor


Compartilhar