A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou na última terça-feira (1º), de forma unânime, a implementação de cotas para pessoas autodeclaradas trans, travestis e não binárias para o vestibular dos cursos de graduação. A medida foi aprovada pelo Conselho Universitário da Unicamp.

As vagas serão oferecidas pela modalidade Enem-Unicamp e abertas a candidatos de escolas públicas e privadas. De acordo com a proposta, turmas com até 30 alunos devem ter pelo menos uma vaga reservada e turmas com mais de 30 alunos devem oferecer, no mínimo, duas vagas.
Para ter direito às cotas trans da Unicamp, os estudantes devem enviar um relato de vida, descrevendo a trajetória de transição e o processo de afirmação da identidade de gênero.
O relato de vida será avaliado por uma comissão, que deverá ser composta por, no mínimo, uma pessoa trans, travesti ou não-binária. Após cinco anos, os resultados da política serão analisados.
Segundo dados da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), houve 279 candidatos inscritos com nome social no Vestibular 2025 da Unicamp. Destes, 40 foram convocados. Os cursos mais procurados foram Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) celebrou, em um tweet no X, a aprovação do sistema de cotas trans pelo conselho universitário da Unicamp.
“Fico extremamente orgulhosa dessa vitória da educação pública, da comunidade estudantil, da população trans e da própria Unicamp”, afirmou.
Como são as cotas trans nas universidades de Santa Catarina
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) oferece 2% das vagas dos cursos de graduação e pós-graduação, além daquelas presentes em editais de transferências e retornos, para pessoas trans.
No entanto, a política da UFSC sofreu mudanças em fevereiro, com redução do número de pessoas trans nas bancas de avaliação e o não reconhecimento da Rede Trans UFSC, entidade que auxiliou na implementação dessas políticas na universidade.

A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) passa por uma revisão da política de ações afirmativas, que não é atualizada desde 2014.
A nova resolução visa implementar cotas para pessoas trans nos cursos de graduação, pós-graduação, concursos públicos e processos seletivos da instituição, além de ampliar as políticas afirmativas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
* Sob supervisão de Danilo Duarte