Udesc adia análise da nova política de ações afirmativas que inclui cotas trans

Política de Ações Afirmativas não é alterada desde 2014 – Foto: Reprodução/Floripa.LGBT

Nova política de ações afirmativas da Udesc, incluindo cotas trans, seria discutida no dia 10 abril, mas foi adiada e deve ser retomada em junho
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A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) está avaliando uma nova política de ações afirmativas para instituição, que prevê instituir cotas trans. A discussão tramita nas Câmaras do Conselho Universitário, mas foi adiada após um pedido feito pelo gabinete do reitor.

A nova resolução prevê reservar vagas para pessoas trans nos cursos de graduação, pós-graduação, concursos públicos e processos seletivos da instituição.

Em fevereiro, a proposta passou pela Câmara de Ensino de Graduação (CEG) e foi aprovada com maioria de votos. Em março, a Câmara de Pesquisa e Pós-graduação (CPPG) também aprovou a proposta, que seguiu para Câmara de Extensão Cultura e Comunidade (CECC).

Entretanto, em reunião no dia 10 abril, a CECC adiou a discussão do processo para nova avaliação do tema. O pedido foi feito pelo gabinete do reitor, após reunião com os diretores dos centros de ensino da Udesc. A próxima sessão da CECC está prevista para o dia 5 de junho.

Coletiva Trans da Udesc pede que a nova política seja discutida

Para a Trama – Coletiva Trans da Udesc, a medida é um retrocesso, já que o debate sobre a nova política de ações afirmativas vinha sendo amplamente divulgado dentro dos Centros Acadêmicos, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), coletivos, comunidade acadêmica e comunidade externa.

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A coletiva também destaca que a implementação da nova política é urgente para a universidade e que vai manter pressão para que a proposta volte a ser discutida pela CECC.

“Exigimos transparência imediata por parte da Reitoria. É fundamental a realização de uma reunião pública para esclarecer os reais motivos desse adiamento e os critérios que serão adotados nessa suposta “nova avaliação”, afirma a Coletiva.

Pós-graduação do Ceart da Udesc possui cotas para pessoas trans

O Centro de Artes, Design e Moda (Ceart) da universidade possui uma política de ações afirmativas para os cursos de pós-graduação. Construída com a comunidade acadêmica, a política prevê reserva de vagas nos processos seletivos e a concessão prioritária de bolsas para pessoas trans, além de negras, indígenas, com deficiência, quilombolas e pertencentes a outros grupos sociais historicamente oprimidos.

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Centro de Artes, Design e Moda (Ceart) da Udesc possui política de ações afirmativas para pessoas trans – Foto: Carolina Weber/Udesc/Reprodução

Proposta enfrenta resistência de políticos conservadores

Em dezembro de 2024, durante sessão da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, parlamentares criticaram as mudanças em discussão na Udesc. O deputado Jessé Lopes (PL) manifestou-se contrário às cotas e afirmou:

“Estou propondo uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para em Santa Catarina ser proibida a cota identitária, a não ser cota por questão de renda, identidade é pauta ideológica”, disse.

* Sob supervisão de Danilo Duarte

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