A escalação de apenas uma modelo trans, a divina Alex Consani, chamou atenção no desfile da Victoria's Secret - Foto: Reprodução/Floripa.LGBT
A nova edição do Victoria’s Secret Fashion Show, que aconteceu nesta quarta-feira (15), em Nova York (Estados Unidos), chegou prometendo renovação. E, em partes, entregou. Neste ano, vimos uma tentativa mais concreta de incluir diferentes tipos de corpos na passarela, mas ainda com pontos a melhorar, como a ausência completa de modelos PCD e a escalação de apenas uma modelo trans — a divina Alex Consani.
Mulheres ‘curvy’ e ‘plus size’ cruzaram o palco com looks que celebravam a sensualidade sem restrições de numeração. A intenção foi clara: a marca quer se descolar da imagem de exclusão que cultivou por décadas.

O show foi paralisado em 2018 após críticas à falta de representatividade na passarela e retornou no ano passado já com uma proposta mais inclusiva. Neste ano, foi além com a estreia de Adam Selman como diretor criativo, conhecido por ter trabalhado com a superdiversa e revolucionária ‘Savage X Fenty’, de Rihanna, uma das grandes responsáveis pela queda do conceito limitante da antiga Victoria’s Secret.
Público e redes sociais reagiram ao Victoria’s Secret Show 2025
O que intriga em todo esse movimento é a reação do público. Enquanto alguns celebram a virada de chave na marca, existe uma grande parcela que acredita em uma “licença poética” para o Victoria’s Secret Fashion Show ser excludente. Nas redes sociais, os pedidos são pelo retorno do formato antigo e das modelos magérrimas, como se o padrão inalcançável fizesse parte da antiga magia.
De fato, parte do poder do show sempre foi seu time estrelado de modelos. Desfilar as lingeries mais caras e desejadas do mundo era o sonho de todas, mas um patamar alcançado apenas pelas maiores. E acredito que essa seja a falta sentida pelo público: das Angels e do que elas representavam — não dos corpos magros delas.

Antigamente, tínhamos a sensação de estar assistindo aos “Vingadores” da moda; hoje em dia, a presença no desfile se banalizou. Neste ano, por exemplo, um bloco inteiro abriu espaço para artistas e influenciadoras digitais.
A presença foi simbólica, importante para mostrar que há vida além do molde da supermodelo. No entanto, nem todas estavam preparadas para o desafio técnico que é desfilar. Essa passarela exige mais do que seguidores: exige postura, ritmo e presença.

Enquanto a energia das modelos parecia, em muitos momentos, apagada, as performances foram o verdadeiro motor do evento. Karol G incendiou com seu magnetismo latino e Missy, como sempre, entregou um show que foi tanto nostalgia quanto futuro. Madison Beer e o grupo de K-pop TWICE também foram bem, apesar do playback aparente. A estrutura do palco era grandiosa, mutável e certeira.

Outro destaque da noite foi a abertura com a modelo grávida Jasmine Tookes. Na roupa dourada em forma de ostra, o barrigão era a pérola. E não podemos esquecer as brasileiras — como sempre, impecáveis. Adriana Lima e Alessandra Ambrósio, algumas das antigas titãs que restaram, deram o tom do desfile, enquanto Daiane Sodré fez uma estreia forte, que nos dá alguma esperança para o futuro.

As lingeries, que já perderam o destaque faz tempo no show, desapareceram embaixo dos adereços. Nada que se destaque ou lembre os tempos de ouro da marca com seus ‘Fantasy Bras’. As clássicas asas começam a ficar repetitivas, sem criatividade e, em muitos momentos, pesadas demais para modelos leves demais.
No fim, a marca e o show parecem passar por um momento de rebranding, que naturalmente vai desagradar quem não for o atual público-alvo. É necessário se posicionar com clareza e, se o posicionamento for inclusivo, que seja cada vez mais abrangente. Ah, algumas latas de energético e um olhar mais atencioso para a parte criativa não fariam mal.