Renato Turnes volta a Florianópolis com espetáculo ‘Homens Pink’ para celebrar dia do orgulho LGBT+ – Foto: Cristiano Prim/Divulgação/Floripa.LGBT+
O espetáculo documental ‘Homens Pink’ retorna aos palcos em Florianópolis, dessa vez no próximo dia 28 (sábado) de junho às 20h. Marcado para acontecer no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), o espetáculo volta à Ilha da Magia para apresentação única em comemoração ao dia internacional do orgulho LGBT+.
Os ingressos para o espetáculo podem ser comprados pelo site Sympla, com valores variando entre R$ 22 (meia-entrada) e R$ 50 para ingressos inteiros na plateia.
O espetáculo é uma performance sobre infâncias, juventudes e a passagem do tempo à sombra do regime militar, tendo o fervo como forma de resistência. É uma celebração da experiência dos pioneiros e o orgulho das ancestralidades dissidentes.
Com Renato Turnes em cena, o espetáculo ‘Homens Pink’ estreou em 2022 no Teatro do SESC Prainha, em Florianópolis. A performance foi inspirada no documentário com o mesmo nome, escrito e dirigido por Turnes, que apresenta relatos orais e de acervos pessoais de nove homens gays idosos.
O espetáculo e as relações com o orgulho LGBT+
O processo de produção do projeto começou em 2018, ano em que foi contemplado com o edital Rumos Itaú Cultural. Em 2019, foram realizadas as entrevistas e filmagens com as 9 pessoas na cidade de São Paulo e em Florianópolis.

O diretor Renato Turnes comenta que a ideia por trás do documentário surgiu a partir do seu próprio processo de envelhecer. Para a página da companhia La Vaca, o artista comenta que “quando passei dos 40 anos comecei a viver aquele processo natural de pensar sobre o envelhecimento, sobre as possíveis repercussões da chegada da idade”.
“Essa prospecção não vinha sem uma certa angústia, porque somos condicionados a ligar as velhices, e especialmente as velhices viadas, a uma série de imagens recorrentes, que associam esse período da vida à solidão, incapacidade, invisibilidade, inutilidade, feiura, pobreza, doença e morte”, completa.
O projeto surge então como uma forma de refletir sobre o processo de envelhecimento, sobretudo para um homem gay antes e durante a ditadura e a epidemia de Aids no Brasil: “Onde e como estavam os homens gays que eram a referência para a comunidade?”

“Aqueles homens que eram referência de futuro quando eu era uma bicha novinha, que eu admirava, desapareceram do meu campo de visão. Soube que alguns se afastaram, mas descobri que a grande maioria estava mesmo era morta. Todas vitimadas pela catástrofe da epidemia da Aids”, comenta Turnes.
O espetáculo documental nasce então como forma de falar sobre aqueles que vivem, pessoas que mesmo fora dos olhares, ainda trazem memórias de uma época de resistência e orgulho LGBT+.
A versão final do documentário foi lançada em 2020 pelo Youtube, disponíveis com audiodescrição e interpretação em Libras. Já o espetáculo ‘Homens Pink’ chegou dois anos depois, em Florianópolis, como forma de documentar e lembrar. Para Turnes, “o teatro é o lugar de não esquecer”.
“Invisíveis ou defuntas, comecei a ser assombrado pelos fantasmas das minhas bichas ancestrais”, afirma o diretor.
* Sob supervisão de Danilo Duarte